Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
O cheiro do polvilho espalhado pela casa, os fornos acesos desde cedo e as quitandas feitas à mão fazem parte da rotina de Conceição dos Ouros, no Sul de Minas Gerais. Conhecida como a “Capital Nacional do Polvilho”, a cidade de cerca de 12 mil habitantes construiu a própria identidade em torno da produção artesanal, tradição que atravessa gerações, sustenta famílias e hoje também impulsiona o turismo e pequenos negócios. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Segundo dados do IBGE, o município produz cerca de 15 mil toneladas de mandioca por ano, em uma área plantada superior a 405 hectares. Já o Sebrae Minas aponta que mais de 30 fábricas artesanais de polvilho funcionam na cidade, mantendo viva uma cadeia produtiva que vai do campo às quitandas e aos pratos criativos servidos a turistas. Essa história começa dentro das casas. Em muitas delas, o polvilho sempre esteve presente nas mesas e nas memórias familiares, como na vida de Maria Rita Ribeiro de Souza, a Tia Rita, referência local na produção de sequilhos feitos com fécula, ovos caipiras, manteiga e leite gordo. Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas Acervo Pessoal “Lembro da minha mãe fazendo biscoito assado, biscoito frito, pastel e pão de queijo. Éramos 17 irmãos e todos gostávamos de nos reunir no café da manhã e da tarde para comer e ajudar minha mãe a fazer as quitandas”, contou. A produção começou como complemento de renda, mas ganhou reconhecimento pelo sabor e pela fidelidade às receitas tradicionais. Para Tia Rita, ver o interesse de visitantes e das novas gerações representa continuidade. “Me sinto realizada. É como se estivéssemos resgatando o tempo que passou. Representa tudo para mim, desde que me conheço por gente só víamos polvilho nas redondezas. Me sinto próxima da minha mãe, dos meus irmãos e emocionada em poder passar adiante os sabores e receitas da minha infância”, afirmou. Tradição que também nasce no campo Na zona rural, a produção artesanal é, além de herança cultural, fonte de autonomia e renda. Na comunidade da Cachoeira, a Associação das Biscoiteiras de Ouros reúne mulheres que transformam receitas à base de polvilho em biscoitos, quitandas e outras iguarias típicas mineiras. Integradas à Rota do Polvilho, elas recebem visitantes, apresentam o processo artesanal e promovem degustações. Entre elas está Angélica Maria de Carvalho Prado. “Participar do turismo abriu portas. Hoje, além de mostrar nossa cultura, isso também se tornou uma fonte de renda e trouxe mais autonomia para a gente”, relatou. Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas Arquivo Pessoal Segundo Angélica, o trabalho coletivo foi essencial para consolidar a atividade. “A gente está junto há 10 anos. No começo, trabalhava fora e vinha para a roça, mas depois conseguimos montar nossa própria cozinha com apoio da prefeitura. Hoje temos uma agroindústria e seguimos trabalhando juntas”, afirmou. “É uma forma de preservar o que aprendemos com nossos pais e avós”, completou. Produção artesanal resiste à modernização Mesmo com a modernização da indústria, Conceição dos Ouros segue como referência nacional na produção de polvilho azedo. O processo mantém etapas tradicionais, como a fermentação natural e a secagem ao sol, responsáveis pelas características do produto. É o caso da empresa Maxmil, que atua há mais de 30 anos no setor e nasceu da tradição familiar ligada à mandioca. Ao longo do tempo, a empresa investiu em tecnologia e controle de qualidade, mas preservou práticas artesanais. “O polvilho azedo é um produto muito característico da nossa região e possui um processo natural e artesanal”, explicou Matheus Freitas, engenheiro químico e integrante da gestão da empresa. “Mesmo com a modernização da indústria, fazemos questão de manter etapas fundamentais dessa tradição.” Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas Acervo Pessoal No meio desse movimento de valorização cultural, a tradição passou também a ser vista como estratégia de desenvolvimento. Segundo o prefeito Luís Fernando Rosa de Castro, a cidade aposta na inovação gastronómica e no turismo para ampliar oportunidades económicas. “O polvilho já fazia parte da nossa história. O que fizemos foi transformar essa tradição em uma experiência capaz de gerar renda e turismo”, afirmou. Polvilho além da quitanda Com apoio do Sebrae Minas, desde 2021 empreendedores locais passaram a receber capacitações voltadas ao turismo e à gastronomia. A ideia era mostrar que o polvilho poderia ir além do produto tradicional e se tornar um diferencial para pequenos negócios. “Percebemos que o polvilho já fazia parte da cultura e da economia local, mas também tinha potencial para gerar novas oportunidades de renda e fortalecer pequenos negócios ligados ao turismo”, explicou a analista do Sebrae Minas, Myrian Sousa. Entre os exemplos está o taco de polvilho criado por Sandro Maciel Mendes. A receita surgiu após a participação dele em um dos cursos oferecidos pelo Sebrae. “O taco de polvilho surgiu depois do curso. A partir dele comecei a criar receitas para os recheios”, contou. Segundo ele, a procura por experiências gastronómicas aumentou e se tornou uma importante fonte de renda. Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas Acervo Pessoal Outra receita que chamou a atenção foi o bolo de pão de queijo com linguiça, criado por Leila Cristina Barbosa Carvalho. “A ideia do bolo de pão de queijo veio justamente do desafio de ressignificar sabores e texturas que as pessoas já conheciam”, disse. A receita conquistou o segundo lugar no concurso gastronómico do festival. Rota do Polvilho e reconhecimento Criada há cerca de dois anos, a Rota do Polvilho atrai, em média, 280 turistas por ano e permite acompanhar todas as etapas da produção, do cultivo da mandioca às quitandas. Em 2025, essa herança ganhou reconhecimento institucional: um projeto de lei passou a tramitar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para transformar o modo artesanal de fazer polvilho em patrimônio cultural de relevante interesse do estado. Entre fornos e quitandas, polvilho sustenta histórias, renda e identidade em cidade do Sul de Minas Arquivo Pessoal A prefeitura também trabalha na criação do Memorial do Polvilho, voltado à preservação da história local. Mesmo com novas receitas, festivais e turistas, o polvilho segue com o mesmo significado para quem sempre conviveu com ele. “Quando uma tradição é passada de geração em geração, ela nunca deixa de existir”, resumiu Tia Rita. Top 3: veja as notícias mais lidas do g1 Sul de Minas durante a semana Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/05/31/entre-fornos-e-quitandas-polvilho-sustenta-historias-renda-e-identidade-em-cidade-do-sul-de-minas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 10

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

top6
6. Deus de Promessas

Davi Sacer

top7
7. Caminho no Deserto

Soraya Moraes

top8
8.

Midian Lima

top9
9. Lugar Secreto

Gabriela Rocha

top10
10. A Vitória Chegou

Aurelina Dourado


Anunciantes